Não foi fácil a administração de Mauro Nazif. Mesmo bem intencionada, mesmo cheia de planos, os quatro anos da sua administração foram muito mais voltados para dentro da Prefeitura do que para fora. Tudo o que se esperava dele, pela batalha que Nazif chegar à Prefeitura e  com uma rica história de vida pública, acabou não se confirmando. Tudo foi feito com lentidão, em slow motion, quase parando, quando a cidade exigia rapidez de um carro de Fórmula 1.  Tudo foi feito sem grande divulgação, sem contato com o povo e os resultados foram pífios. A esperança ficou pelo caminho. E agora? Nesse domingo, teremos novo Prefeito. Não será a fumaça branca do Vaticano, mas a fumaça azul e amarela dos tucanos, que assumem o comando da Capital  com o até há seis meses atrás desconhecido Hildon Chaves.  Com uma campanha séria e competente; apresentando-se como o novo, como um empresário de grande sucesso e preparado para cuidar de Porto Velho, ele se elegeu com uma votação recorde.

Fazer campanha é difícil, custa caro, mas vencê-la é apenas uma parte  alegre e festiva, que caracteriza as vitórias. Agora é que vai começar o Baile dos Horrores, na verdade. Hildon Chaves terá pouco tempo para mostrar a que veio, antes que a insatisfação latente do porto velhense comece a se manifestar. Terá que agir não só como empresário, mas também como político e homem público.

Terá que conviver com um funcionalismo tratado pelos últimos dois prefeitos, como se estivéssemos num país rico. Terá que engolir sindicatos e lideranças como as da vereadora Elis Regina, eleita, reeleita e reeleita não para defender sua cidade, mas apenas seus companheiros de sindicato e funcionalismo. Ela é só um exemplo dos que estão na vida pública apenas para si e os seus. Com raríssimas exceções, todos são iguais. Acabou a festa para Hildon Chaves. A partir de agora, ele terá que mostrar a que veio. Tomara que faça tudo o que prometeu, cuide mesmo de Porto Velho como prometeu e recoloque no caminho do desenvolvimento. É essa a torcida. De todos nós…

 

VAMPIROS À SOLTA

O que ficou de bom de 2016? A não ser em determinados setores, em determinadas empresas, em determinadas vidas, no geral pouco há o que se comemorar desse ano que parecia que nunca iria terminar. Claro que é apenas uma  mudança no calendário, algo mais emocional e psicológico do que real. Mas mesmo assim, é uma mudança. Ela traz em seu bojo alguma coisa boa, alguma esperança, alguns sonhos que ainda podem ser realizados. O Brasil teve um ano  terrível. Derrubamos um governo legitimamente eleito, esperando por uma transformação ao menos moral e o que se vê é o mesmo do mesmo: Temer, Renan e toda a troupe que há décadas vampirizam nosso país. O pior é que as opções fora deles são Lula e Marina Silva. Eta paizinho azarado esse nosso!

 

COMO OS ITALIANOS?

O jovem juiz Sérgio Moro é, sem dúvida alguma, o personagem do ano. Talvez da década. Graças a ele, o tapete putrefato não foi só foi levantado, mas os ratos que nele se abrigavam começaram a ser dedetizados. Mas, infelizmente, foi  apenas o começo. Provavelmente vamos repetir a Itália. Quando a Operação Mãos Limpas italiana começou a devastar o mundo do poder no país, incluindo o Judiciário, houve um consenso de que ela deveria parar. Os italianos até hoje se arrependem, porque a corrupção se institucionalizou e o país só anda para trás, tal qual caranguejo. É um risco que corremos, porque se a Operação Lava Jato chegar ao sistema bancário e invadir a área do Judiciário, corremos o risco do país implodir. Não haverá cadeia suficiente para todos. Não sobrará pedra sobre pedra. E agora, Moro? Vamos ser iguais à Itália ou acharemos uma solução à brasileira?

 

ANDANDO PARA TRÁS

Uma enorme regressão legal foi mantida, ampliando a insegurança e dando aos bandidos carta branca para tomar conta do Brasil, através de um crime organizado bem estruturado e sem ser confrontado. Em todas as áreas do poder, da Presidência da República, passando pelo Congresso, pelo Ministério Público, por todo o Judiciário, pelo sistema policial (que aliás, em muitas regiões também está apodrecendo, por causa da corrupção), a guerra civil imposta pelo crime, parece que está ocorrendo na Transilvânia e não na nossa casa. A lei de proteção ao crime é mantida e ampliada; os benefícios aos bandidos surpreendem e apavoram as pessoas de bem, enquanto defensores dos direitos humanos defendem quem trucida e mata e juízes soltam, horas depois, criminosos que cometeram os mais terríveis delitos. São todos responsáveis pelo que está ocorrendo nas ruas ensanguentadas de Rondônia e de cada cidade desse país.

 

UM ANO AZUL

Rondônia fecha o ano de 2016 no azul. Ou no verde. É uma espécie de ilha, embora também pobre e necessitada, como as demais unidades da Federação. A diferença foi a mão forte do Governo, que não abriu as pernas para a pressão dos servidores públicos e suas reivindicações, muitas delas justas mas que, se atendidas, quebrariam nossos cofres como estão quebrados os da maioria dos Estados. Os poderosos Rio de Janeiro, Minas e Rio Grande do Sul vivem crises históricas, pela sucessão de desmanados, de irresponsabilidades, de conivência com o erro e com a burrice, praticada por governantes que só pensaram no voto e nunca no povo. Confúcio Moura termina o ano por cima. Claro que não é unanimidade, muito longe disso. Mas provou que é possível sim gerir um Estado sem ceder aos encantos da popularidade conquistada apenas à custa de demagogia e irresponsabilidade. Merece, pois, aplausos, nesse quesito.

THOMÉ NA EQUIPE

O site Rondoniagora, que tem tido informações privilegiadas sobre a nova administração municipal, anunciou nesse sábado que o empresário Marcel Thomé, presidente da Federação das Indústrias, a Fiero, será o secretário especial de Desenvolvimento de Porto Velho. A secretaria vai reunir várias outras numa só, será enxuta e vai criar toda a estrutura de planejar a cidade para o futuro. Caso se confirme a informação, Hildon Chaves ganha um parceiro de qualidade acima da média. Thomé é jovem, com uma cabeça voltada ao desenvolvimento e uma liderança emergente no Estado. O que agora vai se analisar é quem substituirá Thomé no comando da entidade, se ele vai se licenciar ou se tentará jogar nos dois times, o que seria muito complicado e até uma temeridade. Mas que o nome dele é dos que merecem todas as apostas de que terá sucesso, nisso não há dúvida!

 

PERGUNTINHA

Você está entre os otimistas que acham que 2017 será muito melhor ou entre os pessimistas, que dizem que vamos sentir saudades de 2016?

Comentários

comentários