FILOSOFANDO

As convicções são inimigas da verdade bem mais perigosas que as mentiras.FRIEDRICH WILHELM NIETZSCHE (1844/1900), filólogo, filósofo, poeta, crítico cultural e compositor alemão. Suas ideias de superação individual e transcendência além da estrutura e contexto tiveram um impacto profundo sobre pensadores do final do século XIX e início do século XX.

 

DINHEIRAMA

Então os servidores rondonienses estão cobertos de razão quando rechaçam as tentativas do governo de Confúcio Moura em aprovar na Assembleia (em convocação extraordinária) um pacote de medidas seguindo o figurino do governo federal de limitar gastos (até reduzindo salários e aumentando a contribuição previdenciária) do estado e, assim, não entrar na lista negra dos que não receberam mais repasses da federação e não terão suas dívidas negociadas ou alongadas “ad eternum”.

Ora, se Confúcio vai bancar a anunciada Rodoviária Internacional de Porto Velho (obra municipal) com 50 milhões, não dá para acreditar nessa lorota de caixa vazio e riscos de não se ter recursos para pagar todos os direitos dos servidores. Sei não, mas sinto nas entrelinhas dessa notícia um cheiro forte de mero jogo eleitoral para 2018. Mais uma vez os olhos vigilantes das instituições do controle externo deverão estar focado nesse negócio.

 

E AS PPPs?

A informação de que será o governo do estado o principal agente pagador da obra anunciada, pergunta-se: a ideia das tais Parcerias Público-Privadas deu xabú? Nem aquela cobrinha batizada de cascavel não vai entrar com nenhum? Quem sabe o “confra” Sérgio Pires consiga revelar detalhes desse negócio milionário? Afinal – essa parece ser a lógica – o dinheiro vai sair do tesouro estadual, quem pagará de verdade a conta somos todos nós, os cidadãos-contribuintes-eleitores.

 

EMOCIONANTE

Não faltou quem considerasse emocionante a nomeação de Sebastião Assef Valadares para um cargo (assessor ou aspone?) qualquer na nova gestão. Na mídia onde atua os aduladores de sempre de qualquer um que esteja no governo, a informação foi seguida de apupos sem nexo ao próprio ex-prefeito (nomeado) dos tempos do Teixeirão, como alguém de extrema competência.

Ora, é no que dá algum tentar administrar uma cidade da importância de Porto Velho sem ter ao seu lado, para consultas, alguém agindo como ideólogo e não como simples puxa-saco. Um prefeito eleito para fazer a diferença, para recuperar a integridade e a competência da gestão municipal não deveria fazer isso com aqueles que depositaram seu voto nele, esperando algo totalmente novo.

 

SEM LEGADO

Sebastião Valadares chefiou a prefeitura num dos melhores momentos de Rondônia, com dinheiro a rodo e todo apoio do então governo Teixeirão. E mesmo assim não deixou legado algum. Nada que marque sua passagem pelo paço municipal. Mas não se pode negar que tem competência, a ponto de ter participado até do calamitoso período em que a prefeitura, nas mãos dos petralhas, assemelhou-se à mítica Caverna do Ali-Babá.

Não se sabe se participando desse novo governo contará com a mesma agilidade para aumentar seu imenso patrimônio de causar inveja aos mais notórios latifundiários urbanos.

 

ASSUNTO ANTIGO

E agora só se fala na questão carcerária. Embora não seja um assunto novo, trata-se de um assunto que estava engavetado até mesmo em Rondônia onde ainda se ouve os ecos de um massacre ocorrido no “Urso Branco”, com dezenas de mortes. E nada mudou de lá para cá. O sistema penitenciário em RO e no Brasil, há muitas décadas, se mostra ineficiente e falido.

A novidade é que a deficiência do sistema penitenciário brasileiro passou a ter destaque nas mídias em razão da tragédia protagonizada pelos massacres em presídios. No total, 134 detentos já foram assassinados somente nos últimos dias. Agora até o inexpressivo governador de Rondônia ganha manchete pedindo o fechamento da fronteira. Ora, por que não alardeou essa preocupação antes? Aliás essa nem é uma ideia original.

 

NA CONTRAMÃO

O governador de Rondônia vai terminar seu mandado sem entregar nenhuma obra para reduzir as deficiências do sistema carcerário rondoniense, onde as falhas surgem a partir do pouco número de agentes penitenciários existentes e do desinteresse do governo até mesmo em nomear e treinar aqueles já aprovados em concurso público.

Se o propósito de Confúcio Moura fosse mesmo o de humanizar o segmento das prisões, com a visão de que ele deveria servir para recuperar o criminoso e integrá-lo novamente à sociedade; pode-se constatar que sua gestão sempre caminhou pela contramão, até pela falta de programas de prevenção contra o crime no estado.

Falar agora em fechar a fronteira é só um escapismo de alguém que ficará marcado pela total incapacidade de resolver os entraves da segurança pública.

 

PALHAÇADA

O anúncio feito com alarde e alegria pela tal imprensa especializada em adular quem está no poder de que as hidrelétricas vai despejar de novo mais 20 milhões para melhorias naquele pasto (argh!) que alguns insistem em chamar de Praça da Estrada de Ferro Madeira Mamoré mostra como a desfaçatez continua sendo a praxe nestas plagas do trópico húmido, onde Porto Velho está localizada.

O anúncio soa como uma palhaçada, principalmente por que o mesmo complexo hidrelétrico do rio Madeira colocou essa mesma montanha de dinheiro ali, para “reformar” a praça quando a prefeitura ganhou o apelido de Caverna do Ali-Babá. E, comprovado que o dinheiro não serviu para nada a não ser para alimentar a rede de corrupção, ninguém foi responsabilizado por nada, pela tremenda maracutáia que não passou de uma milionária maquiagem mal feita.

 

REPETECO

O local, graças ao empenho do novo prefeito, já não pode mais ser chamado de pasto, depois do mutirão de limpeza feito para preparar o sítio para a mega festa dos 102 anos de existência de Porto Velho. Colocar ali a mesma quantia de milhões do passado, pelas mesmas usinas, de dinheiro extra-contabilidade da prefeitura é um repeteco doloroso de uma ação desastrada que deveria ter rendido pelo menos algumas prisões no tempo dos petralhas.

É um vídeo-tape mostrando que temos de mudar muita coisa para que essa cidade se transforme numa capital de verdade. Se aqueles que assumiram o comando da cidade nesse mês não demonstrar coragem para por um ponto final nas distorções do passado mais uma vez teremos de conviver com o período dos factoides que tinham como objetivo mascarar o caos.

 

CONSTRANGEDOR

Que o novo prefeito não se contente com meras maquiagens para amenizar os gravíssimos problemas herdados dos burgomestres do passado recente. Fazer o que fez o governo petralha (onde Assef teve participação) com seus falsos paliativos será constrangedor para a cidade, como é hoje a tal Praça da EFMM, apesar dos milhões ali colados pelas tais hidrelétricas (verbas de compensação) do Madeira.

 

CEGO EM TIROTEIO

O MP decidiu iniciar uma investigação sobre a doação de área pública para os Irmãos Gonçalves (já anulada pelo prefeito Hildon Chaves) construir um suposto shopping-center na capital rondoniense.

O novo prefeito deveria saber – por ter feito parte do Ministério Público – que sua decisão de revogar a doação não impediria que seu ato motivasse a decisão do MP de investigar.

Como a coluna já deixou claro, a decisão devidamente corroborada de afogadilho pelos vereadores de doar a área, mostrou que essa nova gestão ainda está mais perdida que cego em tiroteio.

Alguém deve pedir ao prefeito que não saia do foco de suas bandeiras eleitorais. Pegou mal, muito mal, esse negócio da doação. Quem do alto escalão deixou o prefeito pagar esse mico certamente deveria ser exonerado. Mas duvida-se que o governo municipal vai decidir de forma incisiva a esse respeito.

 

MORRE TEORI

Teori Zavascki, relator da operação Lava Jato no STF, faleceu na queda de uma aeronave no litoral fluminense na tarde de ontem. A queda foi próximo à Ilha Rasa. Na hora do acidente, chovia em Paraty e a região estava em estágio de atenção.

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