A semana não poderia ter começado com notícia melhor para os moradores de uma área nobre da Capital. Há décadas, famílias tradicionais, que moram próximo ao rio Madeira, andavam desesperadas, porque não têm documentação de suas casas e, várias vezes, chegaram a ser ameaçadas de perder o que construíram numa vida toda, já que todo o território pertencia à União. As primeiras três mil propriedades urbanas foram regularizadas nesta segunda, através de doação da área feita pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU), que entregou tudo para a Prefeitura de Porto Velho. Uma medida simples, de bom senso, que deveria ter sido tomada há muitos anos, mas que a burocracia infernal e abominável só permitiu que isso ocorresse agora. O prefeito Hildon Chaves anunciou que no segundo semestre, outras duas mil escrituras serão liberadas. No total, mais de 20 mil famílias serão beneficiadas. A solenidade realizada ontem, para anunciar a novidade, estava recheada de autoridades. Todos queriam fazer parte de um momento histórico, em que um dos mais complexos casos de regularização fundiária na Capital, finalmente começou a ser resolvido. Claro que a regularização não será de graça, mas a verdade é que ninguém deixará de pagar o justo, para ter seu imóvel totalmente em dia e sob sua propriedade. Todos que ganham mais que cinco salários mínimos vão pagar  escritura, registro e Transmissão de Bens e Imóveis, o que representa 2 por cento do total do valor do terreno. Quem ganha menos que isso, estará isento.

 

Hildon Chaves comemorou muito o avanço. Em alguns casos, há na relação, para serem regularizados, imóveis com mais de um século de pendengas, envolvendo a União, o Estado e o Município. Sucessores dos antigos moradores, à época da fundação de Porto Velho, até agora viviam sob o risco de perderem tudo. Enfim, todos os residentes dos bairros Baixa da União, Triângulo, Caiari, Areal e uma parte do Centro, que compõe a complexa região, passam agora a viver em paz. Claro que houve muita gente que batalhou demais para que tudo fosse resolvido (o deputado Lindomar Garçon presente à solenidade, é apenas um desses personagens), mas a verdade é que o tucano Hildon Chaves é quem entrará para a História como o Prefeito que resolveu o drama da Figura A. Na política, tem se que ter sorte, também! 

 

 

 

 

 

O EFEITO GUAJARÁ

 

Não dá mesmo para se fazer previsões eleitorais, nesses tempos de grandes mudanças. Nem no macro, nem no micro. Não é caso generalizado, mas nomes até então menos conhecidos, acabam saindo vencedores das urnas, seja na São Paulo de João Dória, seja na Guajará Mirim de Cícero Noronha. Na disputa pela Prefeitura da cidade, no domingo, a grande maioria das fichas estavam postadas inicialmente em Sérgio Buez, que além de ser o Presidente da Câmara, ocupou interinamente a administração municipal por 90 dias e teve tempo para mostrar à população se tinha condições de ficar quatro anos à frente da cidade. A maioria do eleitorado, contudo, preferiu o novo. Votou num empresário, que, ao menos para a mídia regional, era pouco conhecido, embora em Guajará já fosse popular, até por duas tentativas anteriores de ser Prefeito da cidade.  A diferença foi de três mil votos pro Noronha. Claro que pode ser apenas um momento da política, porque ela muda seguidamente, mas é possível que esteja se confirmando um novo fenômeno, ao menos em parte do país. Nomes novos estão, aparentemente, com mais chances perante o eleitorado. Será que isso se manterá?

 

 

EXTERMÍNIO EM CABIXI

 

Tristeza. Lamento. Horror! Cinco jovens de Rondônia, todos da região da pequena Cabixi, no sul do Estado, foram fuzilados quando faziam um churrasco. Entre as vítimas, um menino de 15 anos, jovem de 17 e uma mulher de 23 anos. Ela era a mais velha do grupo. As primeiras informações é de que todos os mortos já tinham algum envolvimento com a polícia, mas depois se soube que a apenas dois poderiam ser imputadas acusações. A covardia do crime, o fuzilamento sumário, a mortandade de parte da juventude brasileira (infelizmente, esse tipo de crime se espalha por todas as regiões do país), estão se tornando coisas tão corriqueiras que nem chocam mais a sociedade. O caso de Cabixi se insere na violência que se institucionalizou no Brasil e que transformou o valor da vida humana em praticamente nada. Jovens estão sendo exterminados e se exterminando, sob os olhares complacentes das autoridades. Uma geração inteira está sucumbindo. Uma  tragédia nacional, que ocorre sob nossos olhos, mas que nada, nós, cidadãos comuns, podemos fazer para mudar…

 

 

NÚMEROS QUE NÃO MENTEM

 

Se forem computados apenas os números de 2017, ou seja, há dois anos atrás, foram assassinados 58.383 brasileiros. O que isso representa? É um assassinato a cada 9 minutos ou 160 mortos por dia. Foram 28 pessoas vítimas a cada grupo de 100 mil brasileiros. Das 58.383 mortes violentas no período, 52.570 foram causadas por homicídios, 2.307 por latrocínios, 761 por lesão corporal seguida de morte e 3.345 em confronto com a polícia. Poderia ter pior notícia que essa? Poderia sim. Além dos números serem crescentes, a grande maioria das vítimas têm entre 16 e 24 anos, ou seja, gente jovem. Mas há milhares de mortos também entre 10 e 15 anos. Uma tragédia anual. Mais assassinatos num só ano, do que soldados americanos mortos durante toda a década em que o seu Exército enfrentou a duríssima Guerra do Vietnam. Precisa dizer mais?

 

 

NECROPSIA A CÉU ABERTO

 

Denúncia do jornal Correio de Rondônia e reproduzida pelo site rondoniaovivo é das mais graves. Inacreditável. Em Cacoal, peritos da polícia civil têm que realizar necropsia em cadáveres em plena luz do dia, sobre uma tábua e na presença de familiares. Pelo menos algumas cenas de terror foram feitas por quem testemunhou o evento, registrado no Cemitério da Saudade, Linha 6, em Cacoal. Um denunciante contou que a prática é comum, porque não há local para a realização das necropsias, mesmo depois de inúmeros pedidos encaminhados aos órgãos competentes. Certamente o assunto será investigado a fundo, para que sua veracidade seja comprovada ou não. Se o for, o cenário de terror que se vê no pequeno cemitério do interior de Cacoal precisa ser imediatamente derrubado, para que não ocorra mais esse tipo de ação. Há informes de que o caso é a mais pura verdade e que a necropsia  a céu aberto, naquele local, não é novidade. Já estaria ocorrendo há muito tempo. É caso de Polícia!

 

 

CONSELHO É DE GRAÇA

 

Um conselho não custa nada. É de graça. Quem o recebe, acata ou não. Mas um simples conselho quer dizer que quem o faz, quer ajudar. É o que pretende essa coluna, ao aconselhar, com toda a modéstia possível, que o prefeito Hildon Chaves reveja sua decisão de exonerar a diretora da Escola Municipal Estela de Araújo. Depois de 20 anos, a professora Maria Nazaré de Souza foi exonerada do cargo, sem qualquer explicação. Até seria normal a troca de comando numa escola, caso a comunidade toda não tivesse se mobilizado, tão logo soube da notícia, para manter dona Nazaré no posto. Pais e alunos, revoltados, foram à Prefeitura, tentando sensibilizar Hildon Chaves. Conseguiram falar com o vice, Edgar Tonial, que ouviu mas não prometeu nada. Horas depois, a Prefeitura emitiu uma nota, dizendo que 90 por cento dos diretores foram mantidos. Errado. Teria que ser 91 por cento, porque, segundo a comunidade que  não foi ouvida e a adora, dona Nazaré devia ficar onde está. Se ela tem o apoio da sua gente, por que tirá-la? Só pra comprar uma briga inútil com uma pequena, mas mobilizada comunidade? Enfim, é o conselho ao Prefeito.

 

 

PERGUNTINHA

 

Será que o TSE vai cassar a chapa Dilma Rousseff/Michel Temer, causando mais uma confusão generalizada nesse país que já está andando ladeira abaixo na economia e também na política?

 

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