Simplesmente porque, tomando cloroquina ou nada, 95% das pessoas infectados serão “curadas” naturalmente; pois são assintomáticos ou desenvolvem sintomas leves, parecidos com a gripe comum

As falácias de Bolsonaro – que nem todos acreditam estar infectado pelo coronavírus, principalmente depois que a esposa, filhas, servidores do Palácio, ministros, assessores e jornalistas, que tiveram contatos recentes com ele, testaram negativo – sobre as maravilhas da cloroquina tem uma explicação meramente estatística.

Os estudos científicos já demonstraram que os casos de coronavírus-covid-19 “classificados como severos são aqueles em que o paciente apresenta falta de ar, mudança na frequência respiratória, saturação de oxigênio no sangue, infiltração pulmonar e síndrome respiratória aguda. Eles representam 13,8% dos registros. Já os casos críticos, respondem por 4,7% das infecções”. Informações no link: https://veja.abril.com.br/saude/coronavirus-apenas-5-dos-casos-sao-graves-diz-oms/

Logo, é fácil explicar porque a cloroquina ou qualquer outra coisa, como feijão ungido pelo “apóstolo” Valdomiro Santiago, tem grande eficácia para 95% dos infectados com coronavírus. Simplesmente porque, tomando cloroquina ou nada, 95% das pessoas infectados serão “curadas” naturalmente; pois são assintomáticos ou desenvolvem sintomas leves, parecidos com a gripe comum.

Ora, se tomar o famoso “kit covid” distribuído pelo governo de Rondônia, como se fosse um item de cesta básica, evitasse ou curasse a covid-19 o secretário de saúde de Rondônia não estaria neste momento numa UTI de hospital particular; pois, não é crível que ele, receitando para todo mundo o tal kit, dele não fizesse uso e isso não impediu que ele desenvolvesse uma forma mais grave da covid-19.

Então a falácia de tomar o “kit covid-19” para os sintomas iniciais, após constada a infecção, tem uma chance estatística, matemática, de funcionar em 19 de cada 20 casos, o que dá à população a sençsaão de que a cura foi encontratada. Entretanto, aspirina ou o chá caseiro faria o mesmo efeito para mais de 95% da população.

O problema é para os 4,7% que desenvolvem a forma grave de covid-19, como o secretário estadual de saúde de Rondônia. Nestes casos, os efeitos colaterais da cloroquina que são facilmente suportados por quem goza de boa saúde ou apenas trata de malária pode ter sérias complicações com os outros efeitos colaterais, como taquicardia e queda de pressão sanguíneia. Não é a toa que Bolsonaro está fazendo dois eletrocardiogramas por dia.

Um paciente com covid-19 numa UTI, entubado, já sofre severos ataques do coronavíus ao coração e outros órgãos, que aliado à taquicardia que a cloroquina provoca, pode ser fatal. É por isos que os Estados Unidos, França, Inglaterra, OMS, dentre outros, abandonara o tratamento com cloroquina.

Dinte destas considerações, a distribuiãção dos “kit covid” pelo governo de Rondônia, além dos efeitos colaterais inerentes a qualquer medicação, trata-se apenas de duas coisas: desperdício de dinheiro público e justificativa para acabar com o isolamento social, que é a única medida comprovadamente eficaz no enfrentamento ao coronavírus.

A Argentina adotou um severo isolamento social, com lockdown em todo pais. Lá para cada milhão de habitantes há 2.057 infectados e no Brasil 8.535. Quanto ao número de mortes, na Argentina são 39 por cada milhão e no Brasil 334, ou 8,6 vezes mais. Ou seja, a explicação para o “miraculoso” efeito da cloroquina não é médico é estatísco, funciona para 95,3% dos infectados, assim com agua benta e o chá da vovó.

* Itamar Ferreira é advogado e responsável pela Coluna ‘Reticências Políticas’.

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