Foi mais uma daquelas bombas que ninguém esperava. Ela veio sorrateira, lenta, até que caiu, abrupta, no meio político, levando novamente para as páginas policiais, ações de autoridades até agora insuspeitas, mas que, infelizmente, jogaram suas biografias no lixo. Desde sexta-feira, quando a operação da Polícia Federal, em parceria com o Ministério Público, prendeu quatro prefeitos e um ex deputado estadual (tem mais gente envolvida, inclusive nos vídeos já divulgados), comunidades inteiras do interior do Estado estão abaladas. Não só pela explosão causada, como também porque as prisões envolveram personalidades até agora com reputação muito próximo de ilibadas. Foi um choque, por exemplo, saber que a prefeita Gislaine Clemente, de São Francisco do Guaporé, fazia parte do grupo acusado de achacar um empresário, o mesmo que, a partir das denúncias que fez, desencadeou as prisões, também, da prefeita Glaucione Rodrigues, de Cacoal; de Luís Ademir, o Luizão do Trento, de Rolim de Moura e do prefeito de Ji-Paraná, Marcito Pinto. O quinto personagem preso foi o ex deputado estadual Daniel Neri, marido de Glaucione. Com exceção de Luizão do Trento, que havia enfrentado problemas mais sérios, principalmente com a Justiça Eleitoral, que o afastaram do cargo e depois o levaram de volta, os demais envolvidos não poderiam ser menos suspeitos. Agora sim, começarão a sentir na pele e no bolso, que nosso país está vivendo novos tempos, ao menos desde a Lava Jato. Os poderosos de todos os tamanhos já não estão fora do alcance da lei.

O que acontecerá agora, com os presos e denunciados? Lebrinha e Luizão não terão prejuízos políticos imediatos, já que não são candidatos à reeleição. Ambos estão no segundo mandato. Já para Glaucione e Marcito, os danos serão imensos, porque o primeiro e mais duro julgamento virá do público, da população, do eleitor. A dupla que não concorre agora, apenas sofrerá o peso da lei e de aparecer na mídia, em vídeos e gravações, envergonhando a si, aos seus amigos e familiares e aqueles que neles acreditaram. Já os dois que querem a reeleição, além de tudo isso, certamente não terão o tempo e a fraca memória do eleitor para poderem superar a bomba explosiva que os atingiu. Nas duas cidades (Cacoal e Ji-Paraná), onde eram os principais nomes para se manterem no poder, seus opositores, certamente entram na disputa com grande chance. Claro que todos os denunciados e presos provisoriamente, terão todas as oportunidades da ampla defesa. Mas, antes da Justiça e de todas as suas instâncias, haverá o julgamento rápido e mortal da opinião pública. E ela, felizmente, está ao lado do novo Brasil, onde a corrupção precisa ser punida exemplarmente. É uma pena, mas tantas biografias, a partir de decisões infelizes dos próprios personagens, estão no caminho da destruição. Lamentável!

Comentários

comentários