quinta-feira, julho 2, 2020
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Federação da agricultura do AC denuncia a evasão de 10 milhões em gado com destino Rondônia.

O Bar do Vaz desta semana entrevista o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre, o fazendeiro Assuero Veronez. Nos últimos dias, o ac24horas trouxe à tona a denúncia de que fazendeiros do Estado estariam desviando a fiscalização e aberto um rombo fiscal milionário na venda clandestina de bezerros. Assuero trata desse e de outros assuntos ao jornalista Roberto Vaz, como novidade do agronegócio, economia e impactos da pandemia do coronavírus na economia acreana.

O presidente destaca que o setor do agronegócio foi pouco afetado com a crise sanitária decorrente da Covid-19. Essa situação, segundo ele, é percebida anto a nível nacional como a nível somente de Acre. Ele acedia que esse foi o setor menos prejudicado diante da pandemia. “O agronegócio vem superando essa crise e mostrando um vigor muito grande. O setor vive um momento de crescimento. O aumento de investimento no campo e a produtividade fez quebrar recordes de safra”, explica o fazendeiro.

De fato, o agronegócio não para. Como diz o ditado popular, o agro é pop e permitiu que a população ficasse em casa em meio à pandemia de maneira abastecida. “O agro continuou trabalhando. Isso fez uma diferença grande na manutenção das pessoas em casa e ainda aumentou o consumo em função disso”, destaca Assuero. A situação do setor produtivo no Acre é bem menos complicada do que a de outros setores da economia, como a construção civil e a indústria.

Mesmo assim, os cuidados de distanciamento social no ambiente rural também em sendo praticado, segundo o presidente da Federação, muito embora este seja um meio em menos contaminado que o ambiente urbano do estado. “Os funcionários de fazenda estão trabalhando de máscara e tomando os cuidados necessários. Uma coisa é certa: não há como interromper a produtividade”, salienta.

A interrupção desse serviço implicaria num problema bem maio para o estado, além de que se atrasar o calendário, pede-se a época de plantar e colher. “Tivemos alguns produtos do agronegócio que foram afetados, como a produção de flores, que praticamente parou. Não houve casamentos e os velórios foram modificados por conta da pandemia. Esse setor foi profundamente afetado, mas de um modo geral, os produtos principais do agronegócio brasileiro não tiveram interrupção”.

Desafios da pecuária
A pecuária no Acre continua com seu calendário sanitário e de reprodução normal. A demanda por alimentos continuou em alta durante a pandemia e o “fator China” favoreceu ainda mais as exportações. No entanto, o estado ainda vive um desafio grande junto aos pecuaristas: o de transformá-los em potenciais agricultores. Veronez destaca que há regiões no Acre propícias para a agricultura mecanizada, onde parte da área de pastagem pode virar área de agricultura. “Esse fenômeno está chegando aqui também, com o início da plantação de soja e milho. É um processo que deverá crescer gradativamente. A logística atual facilita e viabiliza a produção de grãos no Acre, que os envia para Rondônia e de lá para Europa, sem precisar enviar paro o sul ou sudeste do país”, garante.

Denúncia de desvios na pecuária
A pecuária é, de longe, o grande negócio do estado. Esta semana, uma denúncia oriunda das indústrias de carnes bovinas apontou que haveria uma rombo de R$100 milhões de evasão fiscal cometido por fazendeiros. Para Assuero, esse número é absurdo e nada perto de uma realidade. Segundo ele, daria uma média de 600 mil bezerros, o que representa mais que a produção anual de bezerros machos em todo o Acre.

“Essa denúncia não faz sentido. Temos sim algumas saídas de bezerros no Acre [dessa forma], mas a maioria sai pagando imposto de forma legal, sem problema nenhum. Esse número denunciado está muito longe, pois seriam 6 mil bezerros por dia. Mesmo assim, é uma denúncia que precisa ser apurada pelo estado”, afirma.

Ocorre que os pecuaristas pleiteiam um mercado mais aberto para a carne bovina, enquanto que os frigoríficos querem manter toda a produção no estado, o que, segundo da Federação, é impossível para manter a economia. “O Acre não pode se fechar achando que vamos consumir toda nossa produção. Precisamos dar vasão à nossa produção, tanto de bezerro quanto de boi gordo porque nosso mercado é pequeno para nossa produção”, salienta.

Veronez acredita que pode estar havendo um equívoco por parte do governo do Ace ao acatar apenas o que a classe da indústria solicita, sem perceber, de fato, o que é importante para a produção. “Está faltando ao governo um entendimento melhor da questão”.

Assista a entrevista na íntegra logo abaixo:

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Presidente da Assembleia anuncia pauta trancada até Governo rever decreto fechando o comércio no interior

A proposta foi do deputado Laerte Gomes, em conjunto com todos os parlamentares estaduais
Presidente da Assembleia anuncia pauta trancada até Governo rever decreto fechando o comércio no interior
O presidente da Assembleia Legislativa, Laerte Gomes (PSDB), anunciou que a pauta do Poder Legislativo está trancada até que o Governo do Estado reveja o decreto fechando o comércio no interior de Rondônia. O parlamentar explicou que a decisão de fechar novamente as lojas foi tomada nesta última semana sem que a Casa de Leis fosse ouvida, e que os empresários, comerciantes e comerciários não aguentam mais essa situação.

A iniciativa de trancar a pauta foi tomada em conjunto pelos parlamentares após o posicionamento do deputado Laerte Gomes, que classificou o fechamento do comércio como uma atitude inoportuna. Na prática os deputados não votarão mais nenhum projeto encaminhado pelo Executivo enquanto o Governo não rever a questão.

Os deputados Adailton Furia (PSD) e Chiquinho da Emater também defenderam o trancamento de pauta. Em seu pronunciamento, Laerte Gomes citou os dois colegas e propôs que a ordem do dia prosseguisse, para que posteriormente fosse firmado o compromisso de suspender a votação de qualquer projeto encaminhado pelo Executivo. Logo após, todos os parlamentares encaminharam a proposição.

A Assembleia tomou o posicionamento em defesa dos comerciantes de Rondônia porque em muitos municípios o índice de pessoas infectadas pelo coronavírus não é tão alto. O presidente do Legislativo explicou que empresários e comerciantes estão enfrentando uma dificuldade muito grande, por isso, se for necessário fechar as lojas, deverá ser somente onde aumentar a incidência de covid-19, sem punir o Estado todo.

“O que não pode é continuar essa situação, com o comércio quebrando e comerciários perdendo o emprego. É preciso criar mais macrorregiões no Estado, para que o Governo possa dar assistência aos pacientes”, prosseguiu Laerte Gomes.

Atualmente existem apenas duas macrorregiões: Porto Velho e o interior. O deputado explicou que o interior é muito grande, por isso é preciso avaliar o que realmente está acontecendo, sem penalizar o comércio. “Daqui a pouco não vamos mais ter nem receita no Estado”, acrescentou.

Governo do vai e volta, depois de ser chamado na Justiça “Coroné Rocha” manda fechar, veja o decreto

O governo publicou decreto que retorna Porto Velho para a Fase 1 do plano de reabertura de 4 fases, que está em andamento. Vários municípios já avançaram para a 3 fase, mas a capital, que deveria avançar, retrocedeu devido ao aumento no número de casos de coronavírus.

Na segunda-feira, uma audiência de conciliação que durou quase 6 horas, promovida pelo juiz Edenir Sebastião, definiu que a capital permanecerá na Fase 1 pelos próximos 14 dias, quando será feita uma nova avaliação. . Veja as atividades permitidas nesta fase, e mais abaixo, o decreto editado pelo governo.

NA FASE 1, AS ATIVIDADES QUE FUNCIONAM SÃO:

a) Açougues, panificadoras, supermercados e lojas de produtos naturais;

b) Atacadistas e distribuidoras;

c) Serviços funerários;

d) Hospitais, clínicas de saúde, clínicas odontológicas, laboratórios de análises clínicas e farmácias;

e) Consultórios veterinários e pet shops;

f) Postos de combustíveis, borracharias e lava-jatos;

g) Oficinas mecânicas, autopeças e serviços de manutenção em geral;

h) Serviços bancários, contábeis, lotéricas e cartórios;

i) Restaurantes e lanchonetes localizadas em rodovias;

j) Restaurantes e lanchonetes em geral, para retirada (drive-thru e take away) ou entrega em domicílio (delivery);

k) Lojas de materiais de construção, obras e serviços de engenharia;

l) Lojas de tecidos, armarinhos e aviamento;

m) Distribuidores e comércios de insumos na área da saúde, de aparelhos auditivos e óticas;

n) Hotéis e hospedarias;

o) Segurança privada e de valores, transportes, logística e indústrias;

p) Comércio de produtos agropecuários e atividades agropecuárias;

q) Lavanderias, controle de pragas e sanitização;

r) Outras atividades varejistas com sistema de retirada (drive-thru e take away) e entrega em domicílio (delivery);

VEJA AQUI O DECRETO NA INTEGRA 

Corpo-emoções-mente em tempos de isolamento social

Por Luciana Marques, professora da Faculdade de Educação/UFRGS

Bloqueio, isolamento, distanciamento social, pandemia, novo normal. Webinário, live, máscara, drive-thru, tele-entrega, trabalho e ensino remoto. Tantas palavras entraram na nossa rotina e novas experiências para assimilar. Nosso dia a dia foi alterado, alguns projetos perdidos e muitas dúvidas e incertezas. Nossa mente se agita a pensar em como ficará a vida após a pandemia, como será o novo normal? Por vezes ela se entristece, vai para o passado, para os sonhos que se perderam com o distanciamento social, para a saudade de um mundo conhecido. Nossa mente se movimenta em padrões habituais sem que tenhamos a menor noção de que mundo mental é esse que vive em nós, do que se alimenta, como nos arrasta sem que tenhamos controle.

Nem na nossa educação escolar, universitária ou familiar tivemos extensa orientação de como lidar com a nossa mente, e é com ela que teremos que lidar durante toda a vida. Nem ao menos sabemos que temos uma mente que comanda boa parte do espetáculo/drama/comédia/tragédia que se descortina no nosso dia a dia. Socialmente nos habituamos a dizer que há realmente uma realidade lá fora que é a causadora disso que acontece aqui dentro e que, se controlarmos a realidade, estará tudo certo. Geralmente quanto mais sólida essa realidade é percebida e quanto menor a liberdade que temos, maior é o sofrimento.

Esse foi um aprendizado que pude comprovar trabalhando com pacientes psiquiátricos há uns anos atrás. Quando nossa mente se agita, ela perturba o sono, altera toda a delicada bioquímica do organismo e pode gerar doenças. Quando a tristeza e a desorientação aumentam, o corpo também sofre, ficamos lerdos, não conseguimos pensar direito ou ficamos irritados por precisar dar conta de tarefas. Isso que chamamos corpo, emoções e mente são rótulos totalmente arbitrários para podermos visualizar certos fenômenos com maior clareza, mas que na nossa experiência são muito difíceis de diferenciar. E, de fato, na prática eles são “um”.

Poderíamos prevenir muitos de nossos padeceres educando gentilmente a nossa mente (corpo e emoções estão juntos) não a mimando demais, mas também não exigindo dela o que não nos pode dar agora. Para isso precisamos conhecê-la, não sermos demasiado subservientes às demandas externas nem às internas, mas também não as ignorando nem reprimindo.

Ajuste difícil? O processo corpo-emoções-mente é muito fluido e impermanente, intrincado com toda a rede em que está inserido para que a gente consiga acompanhá-lo e conhecê-lo detalhadamente. Simplesmente não dá tempo, a menos que ficássemos 24 horas só prestando atenção ao que surge na nossa mente. Então, uma espécie de plantonista interno vigilante precisaria estar observando tudo isso e respondendo com bom senso para que o tão desejado equilíbrio se estabeleça. Bom senso é uma palavra importante aqui, pois nosso organismo se rebela com controle excessivo.

Mas quando nossa rotina se altera e o mundo parece vir abaixo, então já é tarde demais pra criar um ambiente físico e mental respirável. O delicado equilíbrio entre corpo, emoções e mente só pode ser alcançado pelo exercício regular e pela vontade de quem está do lado de dentro. Isso em condições estáveis, sejam elas internas ou externas. Numa pandemia não estamos em uma situação estável. Muitos de nós passam longos períodos sem uma estabilidade para poder parar, olhar para dentro e se cuidar. A tríade saúde física, mental e espiritual – que foi o tema do meu doutorado no ano de 2000 – parece tão óbvia quando estudada teoricamente, mas é tão difícil de harmonizar em nossa vida cotidiana. Muitos fatores também não estão ao nosso alcance.

As informações de quase tudo estão todas disponíveis para a maior parte das pessoas via Google. Mas como escolher as melhores, as que de fato nos servem? E quais são as que melhor nos servem AGORA? Para saber o que nos serve, precisamos ter consciência de quem somos e do que queremos. Como respondeu o coelho para Alice (no país das maravilhas): se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.

Então, nessa complexidade aparentemente simples, assimilamos conteúdo, mas não aprendemos a buscá-lo, no sentido de onde encontrá-lo, quais as melhores fontes. Também precisamos interpretá-lo e colocá-lo em prática (de que serve um conhecimento engavetado?). Depois precisamos de acompanhamento, orientação e algum estímulo nessa aplicação. Essas funções podem ser desempenhadas por pais atentos e professores dedicados. Nem todos, contudo, temos essa sorte. Em geral, você é seu próprio professor, seu próprio pai e mãe, seu médico, seu conselheiro –, o próprio algoz e também a vítima. Bem, ao menos você é a pessoa que melhor conhece a si própria neste mundo. Por favor, não se abandone!

O delicado equilíbrio corpo-emoções-mente em geral é o resultado de hábitos e condições anteriores. Colhemos hoje o que plantamos antes. Ele também não dura muito, pois o ser humano é um sistema aberto a inúmeras influências (um vírus que pode ser mortal para uma pessoa é uma “gripezinha” para outra). Mas uma visão panorâmica da nossa vida que parta de certo autoconhecimento pode ajudar a escolher uma direção, um sentido que nos dê estímulo para não desistir.

A boa notícia é que nosso organismo como um todo aprende até o último dia de vida, e a plasticidade cerebral faz de nós algo vivo e totalmente aberto e reagente a intervenções. Dessa forma, sempre dá pra começar de qualquer ponto em que estejamos para seguir por um caminho mais condizente com o que nos harmoniza e alegra, mesmo em meio a uma pandemia.

As lições que os parentes do SARS-CoV-2 nos dão: a imunidade duradoura é pouco provável


Notícias pouco reconfortantes para aqueles que já passaram pela experiência de estarem infectados pela COVID-19, mas que se curaram: um estudo recente publicado por pesquisadores holandeses analisou a frequência de reinfecção de 10 indivíduos ao longo de 35 anos por quatro vírus diferentes, todos da família dos coronavírus, e observou uma alta taxa de reinfecção entre os participantes, com os níveis de anticorpos contra os vírus decaindo rapidamente após as infecções. Todos os vírus estudados causam o resfriado comum em humanos, que também é causado por vírus de outras famílias virais, como os rhinovirus, adenovirus e outras. O estudo foi lançado como uma pré-impressão no servidor de pré-impressões científicas MedRxiv em 18 de maio deste ano (veja aqui).


Para esse estudo, eles monitoraram os níveis de anticorpos de cada indivíduo para cada um dos 4 vírus a cada 3 ou 6 meses, durante os anos de 1985 até 2020. A partir dessas medições, eles determinaram a) os níveis de anticorpos após infecção por qualquer um dos quatro coronavírus humanos sazonais; e b) o período de tempo após o qual podem ocorrer reinfecções pelo mesmo vírus. Os pesquisadores consideraram como um novo episódio de reinfecção toda vez que os níveis de anticorpos contra determinado vírus estivessem maiores em relação à medição anterior. O que eles descobriram foi uma duração alarmantemente curta da imunidade protetora aos coronavírus, com os níveis de anticorpos produzidos contra os vírus caindo drasticamente na maioria dos pacientes após seis meses. Na prática, esses níveis não sustentados de imunidade se traduziram em reinfecções frequentes partindo de 12 ou mais meses após a infecção e, em casos raros, mesmo após apenas 6 meses da infecção anterior.

Essa descoberta é preocupante, embora não seja nova, pois já se sabe que vários outros vírus que causam o resfriado comum são débeis em gerar respostas imunes adaptativas fortes com memória imunológica duradoura. Isso, é claro, está associado à baixa severidade dessas infecções, que não demandam muito mais do que a resposta imune inata local para serem controladas. No outro extremo do espectro, temos vírus que causam infecções graves, como o da varíola (já erradicada) e o do sarampo, para os quais ter tido a infecção ou ter tomado a vacina gera altos níveis de anticorpos e linfócitos de memória que se mantêm suficientemente altos para proteger o indivíduo por toda a vida.

Algumas questões que devem estar vindo à mente do atormentado leitor, ao ler essas linhas: então isso quer dizer que quem tiver COVID-19 leve não poderá suspirar aliviado de já ter pego a infecção e sobrevivido à pandemia? A minha resposta: não, elas não poderão suspirar aliviadas. Essa resposta vem com algumas ponderações. Se você teve COVID-19 leve e testou positivo para a IgG (anticorpo associado à memória imunológica contra o vírus) no teste sorológico, deve estar com algum grau de proteção; provavelmente, estará protegido durante alguns meses mas, possivelmente, não mais do que isso. Caso você tenha testado positivo para COVID-19 pelo teste de RT-PCR (que detecta o RNA viral) mas seu teste sorológico deu negativo (está acontecendo em vários casos em que famílias inteiras de infectados são testadas), no melhor dos casos você estará protegido por um período ainda menor do que quem testou positivo para a IgG (muito ainda se discute sobre o quão sensíveis os testes sorológicos atuais são, dada a urgência com que foram concebidos para atender ao combate da pandemia, mas isso não é o foco da discussão aqui).

As observações apontadas pelo estudo holandês, caso sejam confirmadas para o SARS-CoV-2, põem (ainda mais) por terra a tática (genocida) de certos governos de certos países que esperam pela tão sonhada imunidade de rebanho: sem uma vacina, a imunidade de rebanho eventual via imunização natural não se confirmará. Para ocorrer um nível mínimo de imunidade de rebanho, ao menos dois terços da população teriam que estar imunizados ao mesmo tempo. Mesmo quando tivermos chegado a dois terços de infectados no país (quando isso acontecer, centenas de milhares de vidas terão sido perdidas a esse ponto), não teremos esses mesmos dois terços imunizados, porque os que se infectaram primeiro provavelmente já terão perdido a imunidade e estarão sujeitos a reinfecção. Pelo mesmo motivo, ficaria comprometida a adoção de “passaportes imunológicos”, que permitiria aos portadores que se curaram da COVID-19 afrouxar as medidas restritivas e prover aos governos estimativas de imunidade de rebanho da população. Isso tem repercussão, ainda, com relação às vacinas que estão sendo testadas contra o SARS-CoV-2: caso haja alguma vacina, ela provavelmente terá uma validade limitada e, provavelmente, deverá ser aplicada com certa regularidade, digamos, a cada ano, para que a proteção se mantenha.
A segunda questão que me vem à mente diz respeito àqueles indivíduos que sofreram de COVID-19 grave: eles também não poderiam respirar aliviados de terem sobrevivido, sabendo que, ao menos, eles estão livres de se reinfectarem? Aqui a resposta é um grande não sei, mas imagino que o panorama seja diferente. Como, nesses casos, a infecção se espalha para além da árvore respiratória superior, provocando uma lesão tecidual muito maior e durando mais tempo, minha hipótese é a de que essas pessoas que desenvolveram sintomas respiratórios mais graves e aquelas que tiveram que ser hospitalizadas devem experimentar uma imunidade mais duradoura contra o vírus. Embora essa hipótese seja alentadora para os sobreviventes da COVID-19 grave, isso teria pouco impacto na tão sonhada “imunidade de rebanho”, visto que esses doentes respondem por apenas cerca de 10% dos casos.
Por todos esses argumentos e antes que dados novos e mais definitivos sejam lançados, o que posso recomendar para aqueles que sofreram da doença e sobreviveram é: não baixem a guarda; continuem se cuidando. Evitem aglomerações, continuem usando máscara ao sair de casa e lavem as mãos. Ter pego COVID-19 não elimina o risco de futuras reinfecções. Ainda estamos tentando entender essa doença, e os avanços para a sua contenção e tratamento devem chegar em um futuro próximo, mas a melhor medida contra o vírus segue sendo evitar o contágio e, em relação ao pouco que entendemos sobre a dinâmica de reinfecção dos membros da família dos coronavírus, a possibilidade de reinfecção por SARS-CoV-2 deve ser seriamente considerada.

Por Tiago Veit, professor adjunto do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFRGS
FONTE: Human coronavirus reinfection dynamics: lessons for SARS-CoV-2. Arthur WD Edridge, Joanna M Kaczorowska, Alexis CR Hoste, Margreet Bakker, Michelle Klein, Maarten F Jebbink, Amy Matser, Cormac Kinsella, Paloma Rueda, Maria Prins, Patricia
Sastre, Martin Deijs, Lia van der Hoek. medRxiv 2020.05.11.20086439; doi: https://doi.org/10.1101/2020.05.11.20086439

Energisa compra em Rondônia equipamentos de proteção individual (EPI’s) para uso próprio e doação

Fio:  Aquisição de produtos doados para Hospital de Base e exportados para as distribuidoras do Acre e Mato Grosso é parte das iniciativas de incentivo à economia do estado previstas no movimento Energia do Bem

Em junho, a Energisa realizou novas ações de apoio ao estado de Rondônia no enfrentamento da pandemia de Covid-19. Seguindo as premissas do movimento Energia do Bem, criado pelo grupo para apoiar o enfrentamento da crise humanitária provocada pela Covid-19, que tem reflexos na saúde e na economia, a distribuidora comprou no estado Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) para doação para o Hospital de Base, em Porto Velho, e para uso próprio. Mais de 110 mil máscaras foram adquiridas em empresas do estado. Mais da metade delas serão exportadas para o Acre e Mato Grosso.

O diretor-presidente da concessionária, André Theobald, ressalta que desde os Equipamentos de Proteção Individual dos colaboradores até itens para doação são adquiridos em Rondônia. “Também incentivamos que nossos parceiros façam o mesmo e prestigiem o comércio local, contribuindo para a continuidade dos empregos e para a retomada da economia. Estamos todos unidos em uma corrente, usando a nossa Energia para fazer o Bem”, diz.

As empresas Zared, de Cacoal, e a Oficial Uniformes, de Ji-Paraná, produziram as 110 mil máscaras, que serão entregues aos colaboradores da distribuidora em Rondônia, Acre e Mato Grosso. O empresário Clevisson Oliveira Pinto, da Zared de Cacoal, conta que tem 25 funcionários e que há 18 anos atua na confecção de uniformes e roupas para revenda de lojas. Ele viu as vendas caírem com a pandemia, mas logo se adaptou para produzir máscaras. “Agradeço a Energisa por ter nos prestigiado. Com certeza, isso colabora para que possamos manter a empresa aberta e os empregos dos nossos colaboradores”, afirma.

Uma doação = duas boas ações

Como parte do Energia do Bem, a Energisa também doou para o Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro, de Porto Velho, utensílios essenciais para a proteção das equipes médicas. As compras também foram realizadas em empresas de Rondônia, como a Labiotek, que há 20 anos atua no comércio e serviços hospitalares, entre os quais tubos para coleta de exames microbiológicos e detergentes enzimáticos. “Com o aumento do fornecimento de produtos, nós conseguimos manter os empregos dos nossos funcionários, mantendo os produtos em uma margem favorável para que não falte aos nossos clientes”, afirma Matheus Silva, biomédico da Labiotek.

Entre os itens doados, alguns não são específicos para o setor hospitalar. São cestos de plástico, caixas organizadoras e potes descartáveis que serão utilizados como apoio para o armazenamento dos protetores faciais (face shields) que são enviados para desinfecção, dessa forma evitando a contaminação e proliferação do vírus pelos corredores do hospital. Mesmo nesses casos, a empresa tem privilegiado as compras locais.

A diretora-geral do Hospital de Base, Raquel Gil, explicou que esses materiais serão utilizados pelo corpo médico responsável pelo tratamento de pacientes do Coronavírus e agradeceu o apoio da Energisa nesse momento tão delicado. “Agora toda ajuda é bem-vinda. Uma grande equipe será beneficiada, além dos pacientes, vamos proteger a saúde de médicos, clínicos gerais, obstetras, técnicos em enfermagem e enfermeiros”.

Energia do Bem

O Grupo Energisa criou o Energia do Bem para viabilizar ações emergenciais que ajudem a superar a crise humanitária provocada pela doença. O movimento está presente nos 11 estados em que a empresa atua. Em todos os estados, o investimento do grupo será de cerca de R$ 5 milhões em ações que incluem doação e manutenção de ventiladores pulmonares, obras elétricas em unidades públicas de saúde e captação de recursos para assistência a idosos. Também foi criado o portal Energia do Bem, com informações confiáveis sobre a doença e conteúdo para reduzir os impactos do isolamento social.

LOCKDOWN: Confira a audiência entre a Prefeitura de Porto Velho e o Estado Assista.

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CARREATA E BARULHO PARA TRABALHAR


Os participantes do evento representaram, certamente, grande parte do setor produtivo da Capital, assustado com a possibilidade de terem que parar de trabalhar novamente

Não foi nenhuma Brastemp, mas ao menos fez barulho. Algo em torno de uma centena e meia de motoristas e motoqueiros participaram, na manhã do sábado, de uma carreata com buzinaço, pedindo a volta ao trabalho e, obviamente, contra a intenção da Prefeitura de decretar novo lockdown na Capital. O movimento foi iniciado ainda na sexta, pelas redes sociais. Muitas lideranças empresariais participaram do encontro, embora se esperasse mais gente.

O problema é que a decisão de realizar o evento surgiu pouco mais de 24 antes e foram usadas apenas as redes sociais, onde a repercussão é sempre menor do que na grande mídia. Mesmo assim, o grupo deu seu recado: não quer portas fechadas; quer trabalhar; quer afastar o fantasma do desemprego em massa. Os participantes do evento representaram, certamente, grande parte do setor produtivo da Capital, assustado com a possibilidade de terem que parar de trabalhar novamente. Nesta segunda, depois da audiência na Justiça, se saberá se o temor deles se transformará em realidade ou não. Agora, está nas mãos da Justiça

Coronavírus em Rondônia: 19.820 casos confirmados, 486 óbitos e 7.691 pacientes curados


Confira os números atualizados

O Governo de Rondônia, por meio da Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa) e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), divulga os dados referentes ao coronavírus (Covid-19) no Estado.

No domingo (28) foram consolidados os seguintes resultados para Covid-19 em Rondônia:

Casos confirmados – 19.820
Pacientes recuperados – 7.691
Óbitos – 486
Pacientes internados na Rede Estadual de Saúde – 273
Pacientes internados na Rede Privada – 32
Pacientes internados na Rede Municipal de Saúde – 24
Total de pacientes internados – 329
Testes Realizados – 67.802
Aguardando resultados do Lacen – 1.451

A tragédia do coronavírus na Capital aumentará a partir de 29/06 e será preciso um lockdown “pra valer”

É preciso deixar claro que tivemos um lockdown de “mentirinha”, a começar pelo envergonhado nome de “isolamento restritivo”, para não desagradar o presidente da República, o que contribuiu para confundir e desmobilizar a população; segundo, porque no mundo todo esse tipo medida dura no mínimo 14 dias que é o período de incubação do coronavírus e aqui foi de apenas 8 dias; e terceiro, a população, e muitos comércios, simplesmente descumpriu o isolamento restritivo/lockdown.

Para piorar o quadro acima, a fiscalização por parte das autoridades foi um verdadeiro fiasco; sendo que no dia que um coronel da Polícia Militar, agindo corretamente, anunciou que a partir daquele momento a fiscalização seria rigorosa e que não caberia mais apenas advertência, pois todos já tinham conhecimento da gravidade da situação, o governador veio a público – em grande desserviço – desautorizou o coronel e “tranquilizou” a população para não ter receio da fiscalização, o que acentuou ainda mais o descumprimento da medida.

Portanto, fazer um novo arremedo de lockdown não irá alterar significativamente o aumento da contaminação e mortes. Seja a medida estabelecida em um acordo entre o prefeito da Capital e o Governador ou por uma liminar da Justiça, é preciso estabelecer penalidades mais severas e uma fiscalização muito mais rigorosa por todos os órgãos do Estado e do município. É preciso, também, uma campanha massiva de conscientização, através de rádio, TV, carros de som e redes sociais, conscientizando a população e alertando para o rigor da fiscalização. Estamos numa guerra e o coronavírus está vencendo, diariamente, cada batalha.

Um lockdown como foi este último trás triplo prejuízo à sociedade: 1) paralisação das atividades econômicas, 2) a contaminação/mortes continua aumentando, assim como o colapso do sistema de saúde e 3) a crise se prolonga ainda mais.


AVALIAÇÃO DOS ÚLTIMOS 11 DIAS

O Decreto Estadual nº 25.138 de 15/06/2020, que pôs fim ao isolamento restritivo (lockdown) e flexibilizou amplamente o funcionamento de comércios, Shopping e igrejas (fase II) completará 14 dias neste domingo (28) e as consequências dele começará a partir da próxima segunda-feira (29) e se estenderá pelas próximas semanas. Esse efeito retardado é consequência do período de incubação do coronavírus, de aproximadamente duas semanas.

Nos últimos 11 dias, de 15 a 25 de junho, os números de novos casos e mortes foram assustadores, porém se referem ao período de oito dias do Decreto do isolamento restritivo/lockdown e aos três últimos dias do Decreto anterior, nº 25.049 de 14/05/2020, que colocou Porto Velho na Fase I do chamado “Sistema de Distanciamento Social Controlado”.

Mesmo assim, o resultado destes 11 dias foi trágico: 6.308 novos casos em Rondônia, uma média diária de 573. Já o número mortes em todo Estado foi de 143, média de 13 ao dia. Deste total, 3.997 novos casos foram em Porto Velho, com média de 363 infectados por dia e mais 103 mortes, uma média de 9 ao dia.

Portanto, e infelizmente, a tragédia em Rondônia, principalmente na Capital, deverá aumentar muito a partir da próxima segunda-feira (29), quando começará a aparecer o resultado da liberação de comércios, Shopping e igrejas, ocorrida no último dia 15 e só deverá diminuir após um novo período de lockdow, que precisará ter duração mínima de 14 dias e uma rigorosa fiscalização.

Itamar Ferreira é advogado e responsável pela Coluna Reticências Políticas.